Meus 10K mais rápidos

Meus 10K mais rápidos

Quando aceitei esse desafio, sabia que seria difícil e que teria pouco tempo. Mas mergulhei de cabeça.

Vocês nem sabem, pois não gosto de dramatizar, muito menos parecer que estou arrumando desculpas… Mas eu estava treinando para prova de montanha há 3 meses, queria mudar um pouco o rumo das coisas! E o treino de montanha é muito diferente. Você tem que esquecer velocidade. E no meio disso, viro pro meu treinador e falo: Muda pra 10K. Sério. Fui louca. Mudei tudo e treinei por 3 semanas para esta prova.

Os treinos vocês acompanharam, foram insanos. E eu tenho noção, não sou rápida. Tenho força e resistência para provas longas. Mas velocidade eu ainda tenho muito o que aprender. E depois de me esforçar muito, muito mesmo, o dia chegou.

Sério. Parecia que eu ia correr uma Maratona. Estava ansiosa demais! Um frio na barriga surreal.

Logo que encontrei o Iury, ele me desafiou. Topa correr sem o relógio? Ou vira ele pra baixo pra você ter a prova registrada, mas não olha. Topei.

Aquecemos e fomos para a largada junto com a Paula e a Rosana.

Ficamos alguns minutos conversando mas isso não aliviou a tensão. Não tirava o olho do pórtico. Não pensava em outra coisa. Ficava apertando o braço do Iuri. E também não conseguia disfarçar.

Largada.

Ele manda eu segurar um pouco, estava só começando. Segurei e fui seguindo os passos dele.

Lá pelo Km 3 (acho eu, estava sem ver relógio) ele começa: Agora vamos, tá alto, 5:10, vamos baixar. Eu só ía. Completamente em silêncio. Primeira água neguei. Só corria. E num ritmo X, não fazia ideia. Sabia que estava forte, mas estava bem.

Km 6, aceitei a água. Por mais que o Iury tenha o maior cuidado em me dar o copinho pela metade para não derrubar tudo e me atrapalhar, me atrapalhei. Não sei como, mas aquela dor lateral de respiração apareceu. Nunca sinto isso. Nunca mesmo. Mas até agora acho que foi culpa da água. Não consigo achar outra explicação.

Eu tentei, mas não conseguia forçar mais. Pedi pra parar. Ele super me entendeu. Mandou eu respirar devagar e voltar quando eu me sentisse bem.

Ele vai saber disso por aqui, mas segurei o choro nesta hora. Não acreditava no que estava acontecendo.

Mas não demorei muito e quis voltar. Lutei forte contra essa dor que permanecia e percebia que meu ritmo tinha diminuído muito. Ele também não sabe que a dor continuava ali comigo. Eu só respondia que estava bem com a cabeça.

Ele falava:

Vamos, muita gente acreditou em você. Acredita também. Eu sei que você consegue.

E era verdade. Muitas pessoas passavam e falavam comigo. Muita gente me incentivou durante a prova. Fiquei chocada! E isso pesou positivamente. Eu precisava lutar até o fim.

Nunca desisti de uma prova. E não seria desta vez. Segui, disfarçando e sofrendo. A dor continuava ali e em algum km perto do fim ele falou:

Tá acabando, vamos, tá entregue, você conseguiu.

Eu respondi engolindo o choro mais uma vez, mas resmungando igual a uma criança que responde pros pais: Não quero, não aguento mais.

Mas realmente era verdade, estava chegando e eu não queria desistir.

Eu estava frustrada, com a lágrima quase escorrendo quando cruzei o pórtico e caí nos braços dele. Não sabia ainda se respirava ou chorava.

Por alguns minutos ainda ali na chegada, eu fiquei me culpando e pedi desculpas ao Iury por não ter conseguido bater meu recorde. Mas ele continuava me elogiando e incentivando.

Me convenceu de que a prova foi dura, pois ventou muito. Disse que com a minha dedicação esse recorde está próximo. Eu acredito nisso pois sei da minha disciplina. E acredito em tudo o que ele fala, mas confesso que demorei pra digerir esse tempo. Estava chateada de verdade.

Fomos encontrar com o pessoal da Nike e a Coach do NRC, a Milena, estava com a Valery (duas corredoras fortes) e as duas estavam falando sobre a dificuldade desta prova e que apesar de terem pego pódio, também não conseguiram recordes.

Fui aceitando. Mas não estava feliz. Tinha certeza que conseguiria e que ele estaria naquele momento cheio de orgulho, mas não foi assim.

Mais uma vez fui pedir desculpas a ele. E desta vez tomei uma bronca.

Peço a vocês também. Dei o meu melhor nestas três semanas de treino. E na prova também. Mas não rolou.

Cheguei no carro e chorei tudo que estava entalado. E fui até Guarulhos organizando as ideias.

53:17. Um ótimo tempo. Não o que eu queria, mas um tempo que leva a minha história e a minha evolução. Infelizmente não foi desta vez que meus 10k mais rápidos saíram…

Mas não desisti. Ontem mesmo já mandei mensagem para o meu treinador e pedi para ele deixar os 10k como objetivo. Vamos periodizar como manda o figurino, escolher uma prova alvo, convocar minha dupla e eu VOU CONSEGUIR. Garanto!

 

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SOU ETERNAMENTE GRATA!

 

 

 

3 Comentários

  1. Rodrigo Basso disse:

    Força nos treinos.
    Você consegue.
    Eu e Aninha estaremos na torcida.

  2. Iury Zamarian disse:

    Mandou muito bem na arte de segurar o choro, porque realmente não notei, rs. Pelo contrário, via em você a vontade de terminar da melhor forma possível, e foi o que aconteceu! Mais uma vez meus parabéns e até a próxima! <3

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