Gran Fondo Brasil

Eu sei que não escrevi sobre o Gran Fondo NY, sorry. Mas saí de lá sem saber o que pensar e ainda um pouco revoltada com o sofrimento. Só que decidi fazer de novo para ter certeza do que eu sentiria. E agora posso afirmar: eu amo essa distância, eu amo as longas distâncias!

Na largada eu estava estava bem nervosa, já sabia o quão duro seria. Mas nas provas de ciclismo não me preocupo apenas com a dor. Eu preciso de muita concentração e atenção. Dá medo de cair, de me derrubarem, de derrubar alguém… e nessa hora, Deus do céu, tudo passava na minha cabeça. Um misto de medo e ansiedade.

Larguei. E logo de cara a primeira subida. A tão temida Serra da Beleza. 12 km com 434 metros de altimetria acumulada e 14% de inclinação. Confesso que foi intensa, mas consegui administrar bem e quando ela terminou me emocionei. Real. Eu estava acima das nuvens! No topo da serra, um aglomerado de nuvens e sem nem pensar, parei para registrar esse momento. Por alguns segundos meus olhos encheram de lágrimas. Eu me senti tão viva, tão feliz e agradeci por ter saúde e coragem de fazer essas loucuras.

Depois do céu tem outro céu?

Depois disso, algumas subidas, descidas, subidas, subidas e  uma reta, beeem longa e chata. Se não me engano uns 30 km nesta reta interminável. E adivinha? Fiquei sozinha. Antes dessa reta começar, os atletas que fariam meio percurso retornaram e eu sobrei no pelote que estava. Não tinha o que fazer, então segui sozinha. Fiquei com medo de estar perdida, pois realmente não via ninguém vindo atrás por muito tempo, não vi placas da prova, nem carro de apoio. Por sorte, dois ciclistas cruzaram meu caminho! Dois ciclistas locais e que não estavam participando da prova. Eles me tranquilizaram dizendo que eu estava no caminho certo e que tinha muita gente para trás mas falaram para eu segurar um pouco a velocidade porque ainda iria sofrer muito! E esses dois anjinhos ficaram comigo até aparecer um grupo e eu entrar em outro pelotão.

E esse pelotão… ah, que amor! Fui com eles praticamente até o final. Eu e mais uma mulher, o restante homem. Mas que cuidaram da gente o tempo todo.

Paramos no km 90 mais ou menos para reabastecer a água e comer um lanchinho. Neste mesmo ponto de comida na volta, quando eram 10:30 da manhã, depois de mais uma subida punk e uns 100 km percorridos, a água havia acabado. Todo mundo muito nervoso e reclamando com a organização, então acabamos parando para dividir nossa água que abastecemos na ida. Fiquei bem triste com isso. Em nenhum momento da prova havia isotônico ou coca-cola, mas acabar a água com 100 km e debaixo de um mega sol? Achei desumano. E saí rezando pra cruzar logo um outro ponto de hidratação. Paciência, teria que ser assim. O que não poderia jamais era deixar os outros atletas sem água.

Nesta mesma reta, na volta, nosso pelote todo parou em um outro ponto onde havia água. E também havia chego mais comida. Pão de queijo e caldo de cana. Agora sim, todos alimentados e mais felizes. Para o pessoal que não pedala, entendam: é super normal a galera parar pra comer. É bem diferente de uma prova de running!

Nesta volta, nosso grupo não se desgrudou até a última subida, onde é quase impossível manter todo mundo junto. Eu sentia muita dor nas costas. De um jeito que nunca senti nas longas distâncias em cima da bike e isso estava me irritando muito. Pra piorar, sei lá como aconteceu, eu caí. Simplesmente tombei pro lado sem entender nada! Uma moça me pediu desculpas, então pode ser que ela tenha encostado na minha roda, mas juro que não percebi e por sorte não me machuquei também. E o melhor, isso não mexeu comigo, continuei sem chateação e nem fiquei pensando.

Mesmo com dor nas costas e com uma quedinha, eu estava felizona!  A volta na Serra da Beleza foi interminável, chata e sofrida demais. Nem parecia a mesma por onde passei no começo, mas eu tinha na minha cabeça muitas coisas bem resolvidas. Eu não ouvi música desde o começo e nem pensei besteiras. Muito pelo contrário. Eu passei quase sete horas achando solução pra tudo na vida. Para todos os problemas pensei em coisas nunca antes pensadas! Tudo fluiu. E isso me deixou forte. Eu subi bem, firme, respirando bonitinho, prestando atenção em todo movimento, seguindo tão firme que até recebi alguns elogios no caminho. E isso foi me deixando ainda mais segura!

Quando entrei na cidade de volta e avistei o pórtico, um respiro de alívio e minha melhor amiga gritando pra mim. Foi lindo! Nem chorei, só sorri pra ela e agradeci por mais este momento tão lindo e por ter uma pessoa tão incrível ali me esperando.

Zero traumas. Mil sorrisos. Quero mais. Muito mais.

 

1 Comentário

  1. Rodrigo Basso disse:

    Delícia de texto.
    Parabéns pela prova !!!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *