E se um dia você tiver que parar de correr?

E se um dia você tiver que parar de correr?

Outro dia postei uma foto no Instagram e a legenda fez sucesso:

“A corrida virou uma coisa muito importante para mim. Sou agitada. Ansiosa. Correr para mim, não é sofrido. É relaxante. E ainda me dá autoconfiança. Não penso em parar. Mas se um dia isso acontecer, vou sentir muita falta!”

Quando escrevi isso não imaginava que tanta gente iria concordar. Muito menos que iria despertar em mim uma pergunta. E se um dia eu tiver que parar? Sinceramente eu não encontrei uma resposta para isso, mas sei que seria sofrido.

Poucos sabem, mas quando eu era pequena, praticava Ginástica Olímpica. Treinava pesado e diariamente. Até sofrer uma lesão no joelho esquerdo. Parei, tratei, mas nunca mais consegui voltar. Foi sofrido. Chorei muito pois aquele era meu esporte, aquele ginásio era minha segunda casa e eu ainda era uma adolescente que não sabia lidar com as perdas.

Mas não gosto de dramatizar em cima disso. Passou. Como tudo passa. Então fui em busca de um novo esporte que pudesse fazer que não tivesse impacto no joelho. Me encontrei no Jazz e na Natação. Acho que continuei nesta prática até os 20 anos. E junto fazia as aulas de aeróbio da academia.

Sentia que algo me faltava. Sabe aquela adrenalina, aquele suor, aquela vontade de superação? Faltava. Pensei em correr diversas vezes mas morria de medo do meu joelho. Ficava 10 minutos na esteira e começava a doer.

Foi só com 26 anos que coloquei na minha cabeça que eu ía correr. Voltei ao meu fisioterapeuta, Dr. Osmar de Oliveira (que já está no céu e faz uma falta do cão aqui na Terra) e falei para ele: Eu preciso correr. Ele olhou meus exames, olhou pra minha cara e disse: Ok, você vai correr. Vamos começar a trabalhar.

E assim passava meus dias. Três vezes na semana de fisioterapia e alguns minutos na esteira. E assim foi indo até ir aumentando o tempo de esteira e diminuindo a dor no joelho. Escondida dele me inscrevi para minha primeira prova de rua. Era uma Run Series de 5K no Shopping Center Norte.

Chorei de dor já no quarto quilômetro. Mas terminei. Saí de lá em êxtase e me inscrevi para uma de 10km. Obviamente que tomando bronca do fisio, com dor e muito tratamento.

Assim fui indo. Até que as dores foram melhorando junto com a corrida. Fiz minha primeira Meia Maratona em julho de 2014, no Rio de Janeiro. E graças a Deus, sem dor. Não parei nunca mais. Em outubro de 2015 minha primeira Maratona, sem dores também. Nunca me lesionei na corrida. Nunca deixei um treino por dor. Nunca parei uma prova. Já terminei sofrendo, mas nunca desisti.

Não acho que foi um milagre! Mas acho que foi muito juízo e determinação. E é assim que levo o esporte na minha vida. Sem cometer loucuras, exageros e irresponsabilidades.

Não tenho os melhores tempos. Mas tenho muita vontade de correr para sempre. E é por isso que respeito os limites do meu corpo.

Se um dia eu tiver que parar, irei chorar que nem chorei aos 16 anos. E afirmar que não era uma adolescente que não sabia lidar com as perdas. Acho que mesmo adulta ainda não sei.

Mas uma coisa é certa: Eu não quero perder a corrida. Mas se um dia isso acontecer, irei em busca de um novo desafio, pois é isso que me faz me sentir viva.

E você, já se fez esta pergunta?

 

 

Foto: Cadu Vigilia

4 Comentários

  1. Adorei o post, Ju! Já tive que parar por um mês por uma lesão e sofri… Fico imaginando se um dia tiver que parar pra sempre. Já virou parte de mim. Mas como você falou.. Que venha um próximo desafio se um dia isso acontecer. Enquanto não acontece, vamos aproveitar cada km! 🙂

  2. Mariana disse:

    Hum adorei o post! Morro de medo de ter lesão, nunca tive mas isso me assombra. Acho que um dia eu precisar parar de correr, vou fazer como vc, procurar outro desafio e que seja no esporte. A endorfina me faz sentir viva, feliz e me tranquiliza!! Parabéns!! Adorei e mts mts corridas para vc!! Bjks.

    • Juliana Winter disse:

      Fofa!!!
      Eu convivo com este medo também! Ainda mais por já ter perdido um esporte!
      Mas faz porte do nosso vício né?
      Obrigada! Para nós!!!

      Bj Bj Bj

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